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  • 🎙️ Resumo do Podcast: Programa Variados Resumos da Semana – Ep. 35

    🎙️ Resumo do Podcast: Programa Variados Resumos da Semana – Ep. 35

    Crise da Energisa e o Embate Político de 2026: População Decide o Monopólio e as Pesquisas Divergem!

    O Programa Variados Resumos da Semana (Ep. 35) trouxe debates acalorados sobre a concessão da Energisa, a inauguração da nova sede da Guarda Municipal em Várzea Grande, e as pesquisas que mostram a intensa briga pelas cadeiras do Senado e do Governo em Mato Grosso.


    💡 Destaques: Serviços Públicos e Ações Comunitárias

    • Crise da Energisa e Audiências Públicas: A Assembleia Legislativa, liderada pelo Deputado Wilson Santos, está promovendo audiências públicas para ouvir a população sobre a proposta de renovação da concessão da Energisa por mais 30 anos. O debate se intensifica devido às críticas sobre o mau atendimento e a eliminação de postos de trabalho para autoatendimento (tótens). – [04:45]
      • As próximas audiências regionais ocorrerão em Barra do Bugre, Sinop e Alta Floresta. – [31:34]
    • Nova Sede da Guarda Municipal: Foi inaugurada a nova sede da Guarda Municipal de Várzea Grande. O Comandante Juliano Lemos destacou a estrutura moderna e a prefeita Flávia Morete garantiu que esta será a sede definitiva até a construção do novo quartel. – [12:16]
      • O efetivo atual é de 174 guardas municipais, considerado baixo para o tamanho da cidade. – [13:17]
    • Programa Cultural: Foi divulgado o Festival de Impressos Indígenas em Cuiabá, um evento cultural com entrada gratuita na Casa Vítuca. – [44:56]

    ⚖️ O Jogo Político e as Pesquisas de 2026

    As pesquisas eleitorais para 2026 foram o tema central da discussão, com dados divergentes e análises sobre o cenário:

    • Corrida ao Senado: Uma pesquisa encomendada pela CNN Brasil aponta Mauro Mendes (34%) e Janaína Riva (19%) como os principais nomes, seguidos por Carlos Fávaro. – [20:53]
      • Os apresentadores apostam em Janaína Riva e Fávaro para as duas vagas, devido à força de articulação e apoio federal. – [38:13]
    • Disputa ao Governo (Pesquisas Divergentes): Institutos de pesquisa têm resultados conflitantes:
      • Alguns colocam Wellington Fagundes (PL) na liderança. [22:12]
      • Outros apontam Otaviano Piveta (Republicanos) na frente, o que motivou o partido a custear pesquisas mensais. – [34:02]
      • Outros ainda incluem Jaime Campos entre os cotados. [34:12]
    • Rejeição Alta: Jaime Campos foi o candidato mais rejeitado (45%), seguido por José Carlos do Pátio e Natasha Slhessarenko. – [22:49]
    • Pedro Taques e o PSB: O ex-governador Pedro Taques assumiu o PSB em Mato Grosso, que se encontra “esfacelado” após a saída de prefeitos e deputados (incluindo Max Russi, Beto 2 a 1 e Fábio Tardim) para o Podemos. Taques terá pouco tempo para reestruturar a sigla. – [40:05]
    • Crítica aos Campos: O pré-candidato ao Senado, Antônio Galvão, detonou a família Campos (Jaime e Júlio), alegando que eles não resolveram o problema da crise hídrica em Várzea Grande, apesar de terem ocupado cargos de grande poder. – [18:44]

    🗣️ Polêmicas e Opiniões Fortes

    • Violência Política de Gênero: A deputada Janaína Riva registrou BO após ser alvo de áudios de teor sexual ofensivo e misógino de um servidor comissionado de Rondonópolis. O ato foi classificado como violência política, e o servidor foi exonerado. – [25:34]
    • Ataque ao Governo pela Segurança: O Pastor Marcos Richelly criticou a segurança em MT em evento com o Governador de Minas Gerais, Romeu Zema. Aliados de Mauro Mendes rebateram a fala, destacando que as forças de segurança de MT agiram no combate ao crime organizado. – [48:17]
    • Homenagem Justa: O Deputado Júlio Campos foi elogiado por apresentar um projeto que dá o nome de João Balão (apelido) a um dos prédios do Governo, em justa homenagem ao empresário que muito contribuiu para Cuiabá e o estado. – [30:06]

    ▶️ Ouça o episódio completo e veja as análises na íntegra!

    Programa Variados Resumos da Semana – Ep. 35

    http://www.youtube.com/watch?v=-xt8yTjKSRc

  •                               Diferentes

                                  Diferentes

    “ (38) O campo é o mundo e a semente representa o povo do reino; o joio é o povo que pertence ao Maligno. (39) O inimigo que semeou o joio entre o trigo é o Diabo; a colheita é o fim do mundo e os ceifeiros são os anjos.” Nesse texto o Senhor Jesus está explicando aos seus discípulos a respeito da Parábola do Joio e do Trigo (Mateus 13). Um pouco antes, ao falar da parábola, Ele diz que o agricultor semeou em seu campo sementes escolhidas de trigo e, enquanto ele dormia, semearam também joio. Interpelado pelos seus empregados sobre se deveriam arrancar o joio, Ele respondeu: “Não, deixem crescer junto. No momento certo os ceifeiros arrancarão o joio, queimarão e depois farão a colheita do trigo.”

    Aprendo com isso que:

    1. Vivo num meio onde existem joio e trigo (pessoas que fingem adorar e outras que realmente adoram a Deus verdadeiramente). Porém, essas pessoas não são perfeitas, mas buscam melhorar a cada dia.

    2. Essa segunda “classe”, como são pessoas e estão em nosso meio, podem se tornar ou se transformar em trigo. Por esse motivo Jesus permite que cresçam juntos.

    3. Não é a mão humana que decide quem é joio ou trigo; são mãos celestiais (anjos) com visão celestial.

    Então devo simplesmente viver cuidando da minha vida espiritual e descansar no Senhor até o tempo certo, relacionandome com todos.

    Gilson Alves

    www.variadosnoticias.com.br

  • Demarcação de terras indígenas em MT: após novos decretos, AMM e entidades vão ao STF cobrar segurança jurídica

    Demarcação de terras indígenas em MT: após novos decretos, AMM e entidades vão ao STF cobrar segurança jurídica

    Preocupados com o impacto das novas demarcações de terras indígenas em Mato Grosso, o presidente da Associação Mato-grossense dos Municípios, Léo Bortolin, levou a Brasília uma pauta de emergência em defesa dos municípios. Ao lado de representantes do agro e do Legislativo estadual, ele participa de reunião com o ministro Gilmar Mendes, nesta quinta-feira (20/11), feriado da Consciência Negra, no Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo a comitiva, os decretos publicados nesta semana geram insegurança jurídica para prefeituras, produtores rurais e para a economia de Mato Grosso.

    As entidades questionam decretos assinados nesta semana pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que homologam a demarcação das terras indígenas Manoki, Uirapuru, Estação Parecis e Kaxuyana-Tunayana. Ao todo, são cerca de 2,45 milhões de hectares distribuídos entre Pará, Amazonas e Mato Grosso. Com essas homologações, chega a 20 o número de territórios indígenas confirmados desde 2023, de acordo com a Casa Civil.

    Em Mato Grosso, as novas demarcações atingem diretamente áreas produtivas nos municípios de Diamantino, Campos de Júlio, Nova Lacerda, Conquista D’Oeste e Brasnorte. Prefeitos e produtores já vinham manifestando preocupação com o avanço de processos de demarcação e revisão de limites territoriais. “O que está em jogo em Mato Grosso não é um debate abstrato. São prefeituras que podem perder parte importante da receita de uma hora para outra, sem tempo de adaptação e sem diálogo. Os prefeitos estão inseguros, os produtores apreensivos. Nosso pedido é por segurança jurídica e previsibilidade”, afirma o presidente da AMM, Léo Bortolin.

    Em cidades como Brasnorte, a ampliação da Terra Indígena Manoki atinge propriedades rurais consolidadas e pode reduzir de forma significativa a base de arrecadação do município. O prefeito de Brasnorte, Edelo Ferrari, destaca o impacto direto nas contas públicas e nos serviços prestados à população. “Se essa ampliação for mantida, o município vai perder arrecadação e ter que cortar serviço. Não estamos falando só de fazenda, estamos falando de escola, saúde, estrada. Para Brasnorte, o prejuízo é enorme e muito difícil de reverter”, aponta o prefeito.

    Para o presidente da Aprosoja Mato Grosso, Lucas Costa Beber, muitos produtores rurais foram pegos de surpresa pelos decretos de demarcação. “Tem assentamento, área com CAR e famílias que estão há muitos anos na mesma região. O produtor olha para o decreto e pensa: tudo o que construí está em risco? Isso é uma insegurança jurídica enorme”, avalia.

    Vilmondes Tomain, presidente da Famato, ressalta que a pressão não recai apenas sobre o setor produtivo, mas também sobre os gestores municipais. “Essas áreas não são só números em mapa. São municípios inteiros tentando manter serviço público funcionando, enquanto produtores se sentem vulneráveis com medo de perder o patrimônio de uma vida. Precisamos de responsabilidade e equilíbrio”, diz.

    A deputada estadual Janaína Riva avalia que o diálogo com o ministro Gilmar Mendes é essencial para levar a realidade mato-grossense ao centro do debate no STF. “O ministro foi receptivo e conhece o estado. Quando explicamos que um município pode perder até 20% de receita, fica claro que não se trata apenas de discutir limites, mas de discutir a continuidade dos serviços para a população”, afirma a parlamentar.

    Como encaminhamento, ficou definido que, já na próxima segunda-feira, a AMM e as demais entidades envolvidas irão se reunir para protocolar uma ação com o objetivo de suspender todos os processos que tratem de novas demarcações ou remarcações de terras indígenas envolvendo Mato Grosso, tanto na esfera administrativa quanto na judicial. A intenção é garantir segurança jurídica até que haja maior clareza sobre critérios, procedimentos e impactos para os municípios e para a economia do estado.

    Participaram da reunião com o ministro Gilmar Mendes o presidente da AMM, Léo Bortolin, o deputado estadual Eduardo Botelho, a deputada estadual Janaína Riva, o prefeito de Brasnorte, Edelo Ferrari, o presidente da Aprosoja Mato Grosso, Lucas Costa Beber, e o presidente da Famato, Vilmondes Tomain.

  • AMM contesta homologação de terras indígenas em MT e alerta para impactos nos municípios

    AMM contesta homologação de terras indígenas em MT e alerta para impactos nos municípios

    Crédito: Divulgação AMM

    As novas homologações de terras indígenas em Mato Grosso podem comprometer a sustentabilidade dos municípios impactados, gerar perdas econômicas e afetar diretamente centenas de famílias. O alerta foi feito pelo presidente da Associação Mato-grossense dos Municípios (AMM), Leonardo Bortolin, ao comentar os reflexos do decreto presidencial assinado nesta terça-feira (18) que amplia áreas demarcadas no estado.

    Bortolin criticou a falta de diálogo com os municípios e com os produtores rurais atingidos. “Isso é péssimo para Mato Grosso. O presidente Lula cometeu um ato de irresponsabilidade, que reforça a insegurança jurídica que afeta os municípios de Mato Grosso. Buscou protagonismo em meio à COP 30, mas acabou prejudicando famílias, afetando áreas produtivas e a própria economia do país, que depende diretamente da produção e da comercialização”, afirmou.

    Uma das áreas ampliadas é a Terra Indígena Manoki, localizada em Brasnorte, que teve acréscimo de 206 mil hectares.

    O presidente da AMM destaca que, no território ampliado, existem propriedades formalizadas há mais de três décadas. “Há produtores com matrículas dessas áreas há 35 anos. Nesses 206 mil hectares não há registro de presença indígena nem antes nem depois da Constituição de 1988. Eles foram anexados a uma área de 46 mil hectares que é uma extensão considerável para atender cerca de 450 indígenas”, observou.

    Bortolin reforça que a decisão agrava um cenário de desafios sucessivos  que os municípios e o setor produtivo enfrentam em Mato Grosso. “Além da moratória da soja, das discussões sobre áreas úmidas, do zoneamento ecológico e econômico e de outras restrições, agora temos novas demarcações. Como o estado pode se desenvolver e atrair investidores internacionais convivendo com sucessivas inseguranças jurídicas, muitas delas derivadas de decisões do governo federal?” questionou, informando que irá solicitar ao ministro do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, que suspenda os efeitos do decreto homologado nesta semana.

    Outras áreas afetadas- O governo federal também homologou a Terra Indígena Estação Parecis, em Diamantino, e a Terra Indígena Uirapuru, localizada nos municípios de Campos de Júlio, Nova Lacerda e Conquista D’Oeste.

    Fonte:https://www.amm.org.br/Noticias/Amm-contesta-homologacao-de-terras-indigenas-em-mt-e-alerta-para-impactos-nos-municipios-55761/

  • Apoio de Bolsonaro não é decisivo na eleição ao Senado, diz Mauro

    Apoio de Bolsonaro não é decisivo na eleição ao Senado, diz Mauro

    Segundo ele, alianças políticas ajudam, mas o que define é a capacidade de se conectar diretamente com o eleitor

    O governador Mauro Mendes (União Brasil) afirmou, nesta segunda-feira (17), que o apoio do ex-presidente Jair Bolsonaro e do Partido Liberal (PL) seria positivo, mas não é determinante para o sucesso de uma candidatura.

    Segundo ele, alianças políticas ajudam, porém o que define uma eleição é a capacidade de se conectar diretamente com o eleitor.

    “Todo apoio é importante, mas não é imprescindível. Se fosse, Bolsonaro não teria sido eleito. Ele venceu porque se conectou diretamente com o cidadão, mesmo sem estrutura partidária ou apoio político relevante”, declarou.

    O governador lembrou que, em 2018, Bolsonaro conquistou a Presidência sem o respaldo de grandes partidos, da imprensa tradicional ou de grupos econômicos, baseando sua campanha na mobilização popular.

    “O que realmente importa é dialogar com as pessoas e representar o que a sociedade quer naquele momento. Foi isso que o elegeu e é o que define qualquer candidatura vitoriosa”, afirmou.

    Ao comentar sobre a importância do apoio do PL à eventual candidatura do vice-governador Otaviano Pivetta (Republicanos) ao Governo e à sua própria corrida ao Senado, Mauro Mendes reforçou que o respaldo político contribui, mas não decide o resultado das urnas.

    “O que define uma eleição é a sintonia com o eleitor e os resultados concretos entregues à população”, afirmou.

    Questionado se pretende adotar a mesma estratégia de Bolsonaro em uma eventual candidatura, ele preferiu não antecipar planos.

    “Primeiro, é preciso decidir se serei candidato. Depois, definimos as estratégias”, desconversou.

    O ex-presidente Jair Bolsonaro já havia declarado apoio a Mauro Mendes e demonstrado simpatia pelo nome de Pivetta.

    Nos últimos dias, porém, surgiram especulações de que esse apoio pode ser revisto, após o embate público entre o governador e o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP).

    Eles trocaram críticas nas redes sociais e na imprensa, em um episódio que repercutiu nacionalmente.

    Fonte: https://www.diariodecuiaba.com.br/politica/apoio-de-bolsonaro-nao-e-decisivo-na-eleicao-ao-senado-diz-mauro/722880

  • Primavera do Leste avança para futura parceria com escritório de comércio China e Brasil

    Primavera do Leste avança para futura parceria com escritório de comércio China e Brasil

    O objetivo é abrir caminho para novas oportunidades econômicas, ampliando a entrada de tecnologia, entre outros aspectos

    Legenda: Eledir coordena um trabalho direto com empresários da China que têm interesse em firmar acordos comerciais com o Brasil

    Durante a missão oficial na China, o secretário de Desenvolvimento Econômico, Fábio Parente, manteve um encontro estratégico com Eledir Busanello, representante de um escritório especializado em conectar negócios entre empresas chinesas e o mercado brasileiro.

    Eledir coordena um trabalho direto com empresários da China que têm interesse em firmar acordos comerciais com o Brasil — e, especialmente, com Primavera do Leste. O escritório atua com suporte completo para importação, exportação, participação em feiras, missões empresariais e desenvolvimento de projetos conjuntos.

    A partir desse primeiro contato, será organizada uma reunião futura, em Primavera do Leste, onde Eledir apresentará formalmente o funcionamento do escritório, seu portfólio e os potenciais parceiros chineses que demonstram interesse em investir ou comercializar com o município.

    O objetivo é abrir caminho para novas oportunidades econômicas, ampliando a entrada de tecnologia, fortalecendo fluxos comerciais e atraindo possíveis indústrias para o município.

    Segundo o secretário Fábio Parente, a aproximação representa um passo decisivo para inserir Primavera do Leste no radar internacional: “Estamos construindo uma ponte direta com empresas chinesas. Essa futura reunião pode resultar em negócios concretos e parcerias que tragam inovação e desenvolvimento para Primavera do Leste”.

    Fonte: https://www.primaveradoleste.mt.gov.br/Imprensa/Noticias/Primavera-do-leste-avanca-para-futura-parceria-com-escritorio-de-comercio-china-e-brasil-10791/

  • Famato conclui em Cuiabá série de palestras e reforça orientações sobre impactos da reforma tributária no agronegócio

    Famato conclui em Cuiabá série de palestras e reforça orientações sobre impactos da reforma tributária no agronegócio

    Proposta da Famato foi garantir que produtores tenham condições de entender não apenas o que muda, mas como essas novas exigências podem influenciar a competitividade e a previsibilidade da produção.

    Após percorrer mais de 20 municípios mato-grossenses, a Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato) encerrou em Cuiabá, nesta quarta-feira (12), a série de palestras voltadas a esclarecer produtores rurais e contadores sobre os efeitos da reforma tributária no agronegócio. O encontro final, realizado na sede da entidade, consolidou as principais dúvidas e apresentou caminhos técnicos para adaptação às novas regras que começam a redesenhar a relação entre atividade produtiva, sustentabilidade fiscal e gestão do patrimônio rural.

    A rodada trouxe explicações práticas sobre temas que devem impactar diretamente o planejamento das propriedades, como arrendamento, aquisição de máquinas e equipamentos, cadastro no IBS/CBS e aplicação da alíquota reduzida de 60% para produtos do agro. A proposta da Famato foi garantir que produtores tenham condições de entender não apenas o que muda, mas como essas novas exigências podem influenciar a competitividade e a previsibilidade da produção.

    Para o analista tributário da Famato, José Cristóvão Martins Júnior, a participação ativa do produtor nas decisões fiscais é indispensável.

    “Nem sempre contador ou advogado conhecem as particularidades da fazenda. Sem a visão do campo, o planejamento perde eficiência e aumenta o risco”, alertou.

    As orientações técnicas reforçaram a necessidade de revisar contratos de arrendamento para identificar a alíquota mais vantajosa, além de detalhar quais máquinas e equipamentos poderão ser adquiridos com desoneração, conforme lista prevista em regulamento. Com o novo desenho do IBS e da CBS, parte das operações passará a ser recolhida pelo próprio produtor, ampliando a responsabilidade sobre o controle tributário.

    No novo regime de não cumulatividade, insumos tendem a chegar menos onerosos, mas o acompanhamento entre créditos e débitos na saída exigirá maior organização. A recomendação é manter cadastro atualizado de fornecedores que já aderiram ao IBS/CBS e priorizar vendas para compradores habilitados, garantindo aplicação correta do diferimento.

    Vice-presidente regional da Famato e produtor rural, Anísio Milela Zinqueira Neto destacou que o entendimento das mudanças precisa ser constante.

    “Não dá para ignorar o que está acontecendo. Precisamos estar atentos para não continuar pagando pela ineficiência. Mantenho contato constante com meu contador e advogado. No fim do ano passado, ele me alertou para não firmar certos contratos em 2025, considerando o faturamento do ano anterior. Este ano o cenário é outro, e estamos tomando medidas para adequação”, afirmou.

    O presidente da Famato, Vilmondes Tomain, ressaltou que o setor ainda busca compreender a dimensão total dos impactos.

    “Estamos entendendo como serão as mudanças, mas uma coisa é certa: a carga tende a aumentar. Mudanças tributárias miram arrecadação e preocupam o produtor. Por isso realizamos esta rodada para orientar, inclusive, os contadores”, destacou.

    Segundo ele, a série de eventos recebeu forte adesão no interior e será retomada em 2026, com foco na preparação e na proteção do patrimônio rural.

    Continuidade do serviço ao produtor

    Ao final do encontro, Tomain confirmou que o ciclo de palestras será mantido no próximo ano. As novas datas e cidades serão divulgadas nos canais oficiais da Famato.

    Fonte: https://www.parlamentonews.com.br/agronegocio/item/3626-famato-conclui-em-cuiaba-serie-de-palestras-e-reforca-orientacoes-sobre-impactos-da-reforma-tributaria-no-agronegocio

  • Pistoleiro que matou 2 no Shopping Popular diz que pensou em desistir, mas foi ameaçado

    Pistoleiro que matou 2 no Shopping Popular diz que pensou em desistir, mas foi ameaçado

    Na sessão desta quarta-feira (12), em Cuiabá, o executor afirmou que teria sido coagido por um dos mandantes a manter o plano do crime ocorrido em 2023

    No júri do Shopping Popular, executor diz que pensou em desistir do crime de 2023, mas foi ameaçado por mandante; sessão é presidida por Mônica Perri

    O pistoleiro Sílvio Júnior Peixoto, apontado como autor dos disparos que mataram o empresário Gersino Rosa dos Santos, o “Nene Games”, e o vendedor Cleyton de Oliveira de Souza Paulino dentro do Shopping Popular de Cuiabá, em 2023, afirmou durante o julgamento nesta quarta-feira (12) que chegou a pensar em desistir do crime, mas foi ameaçado de morte por um dos mandantes. O julgamento é presidido pela juíza Mônica Catarina Perri Siqueira, titular da 1ª Vara Criminal de Cuiabá.

    Segundo ele, houve pressão para que a execução acontecesse. Questionado em plenário se tinha comunicado de forma clara a intenção de desistir, respondeu que sim. “Sim. Todo tempo. Nunca imaginei passar por uma situação dessas. Mas ele disse que se não fizesse, quem ia morrer era eu”, declarou.

    A sessão do Tribunal do Júri reúne três acusados: a mãe e o filho Jocilene Barreiro da Silva e Vanderley Barreiro da Silva, apontados como mandantes, e Sílvio Júnior Peixoto, identificado como executor dos disparos.

    De acordo com a acusação, Jocilene e Vanderley teriam encomendado o crime, enquanto Sílvio executou os disparos que atingiram as vítimas dentro do centro comercial. As mortes de Gersino e Cleyton chocaram frequentadores e lojistas e levaram a uma investigação que, posteriormente, resultou na denúncia do trio.

    Em seu interrogatório, Sílvio reforçou que tentou abandonar a ação criminosa, porém, disse ter sido coagido. Ele repetiu ao Conselho de Sentença que comunicou “todo tempo” a intenção de não participar e que, mesmo assim, recebeu a ameaça: se não cumprisse a ordem, seria ele a próxima vítima.

    Fonte:

  • Nininho reage a Mauro Mendes e garante: “A MT-030 é totalmente viável e vai sair do papel”

    Nininho reage a Mauro Mendes e garante: “A MT-030 é totalmente viável e vai sair do papel”

    Deputado afirma que o governador está mal informado, cobra “boa vontade” e aposta que, a partir de março, com Otaviano Pivetta no comando, a obra que encurta em 30 km o trajeto entre Cuiabá e Chapada será finalmente iniciada.

    Nininho reage a Mauro Mendes e garante: “A MT-030 é totalmente viável e vai sair do papel”

    O debate sobre a MT-030 — rodovia que reduziria em cerca de 30 quilômetros a ligação entre Cuiabá e Chapada dos Guimarães — ganhou um novo capítulo após a reação do deputado estadual Nininho (Republicanos) às declarações do governador Mauro Mendes (União). Mendes havia classificado a obra como “inviável” e atribuído possíveis avanços à necessidade de licenças do Ibama.

    Nininho não deixou sem resposta. Com tom firme, rebateu a posição do chefe do Executivo estadual e disse que a rodovia não apenas é viável, como já possui estudos técnicos concluídos que comprovam sua exequibilidade.

    “A 030 é totalmente viável. O Estado vive um momento financeiro excelente e pode fazer a obra”, afirmou o parlamentar, destacando que engenheiros contratados já produziram levantamentos completos, os quais pretende apresentar pessoalmente ao governador — acompanhado de uma equipe técnica — para mostrar que “nada é inviável”.

    Ele também criticou erros históricos que, segundo ele, alimentam gargalos como o do Portão do Inferno.

    “Até hoje aquilo está lá por teimosia. Faltou decisão”, disparou.

    Aposta em Pivetta e cobrança de disposição política

    Apesar de discordar frontalmente do governador, Nininho adotou um tom de resignação estratégica. Disse não estar preocupado com o impasse atual e que pretende retomar o debate “a partir de março”, quando o vice-governador Otaviano Pivetta (Republicanos) assumirá o comando do Estado durante a janela eleitoral.

    “Vamos realizar esse sonho de toda a população”, antecipou o parlamentar, indicando confiança de que Pivetta destravará o projeto.

    Sem citar Mendes diretamente, Nininho sugeriu que o problema não está na viabilidade, mas na disposição política:

    “Não tem nada de inviável. Talvez falte boa vontade”, alfinetou.

    Impacto estratégico e condicionantes

    O deputado reforçou que a obra é crucial não apenas para Chapada, mas para toda a Baixada Cuiabana — região que reúne mais de 1,5 milhão de habitantes — e que a nova rota ajudaria a salvar vidas, reduzindo riscos em trechos críticos da MT-251.

    Outro ponto levantado por Nininho é que a própria duplicação da MT-251 depende da execução da MT-030, por condicionante estabelecido no licenciamento.

    “Se a 251 só pode ser duplicada com a 030, como pode ser inviável?”, questionou.

    Pressão crescente

    Segundo o parlamentar, a demanda cresce diariamente.

    “Todos me procuram por essa obra”, comentou, dizendo estar preparado para provar tecnicamente a necessidade e a possibilidade de execução.

    Enquanto o governo insiste na tese da inviabilidade, Nininho mira 2026 como o ano da virada. Para ele, com Pivetta no comando, a MT-030 finalmente deixará o campo das promessas e entrará na lista das grandes obras estruturantes do Estado.

    Fonte: https://www.parlamentonews.com.br/infraestrutura-e-transporte/item/3586-nininho-reage-a-mauro-mendes-e-garante-a-mt-030-e-totalmente-viavel-e-vai-sair-do-papel

  • MT era um Estado curral comandado por poucos; UFMT dividiu isso

    MT era um Estado curral comandado por poucos; UFMT dividiu isso

    Fundador e primeiro reitor da universidade fala sobre política, educação, saúde e a ditadura militar

    O médico e professor Gabriel Novis Neves, que falou sobre a fundação da UFMT

    JONAS DA SILVA
    DA REDAÇÃO

    Aos 90 anos, o médico e professor Gabriel Novis Neves avalia que a instalação da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) em Cuiabá propiciou a liberdade de pensamento na sociedade contra um “estado curral”, como ele denominou a situação antes do funcionamento da instituição.

    A Universidade Federal de Mato Grosso veio para dividir esse imenso curral, esse curral não pode ser patrimônio de uma pessoa, ou de um grupo, tem que ser de todos

    Neves dá nome à cidade universitária, foi seu fundador e reitor por mais de uma década, entre 1970 e 1982. Formou gerações de médicos não só na universidade, como em outros centros de ensino. Profissionais dos quais hoje é paciente na saúde.

    “Cada um deve ter liberdade para escolher seu candidato e votar, isso é o que acho. Mas aqui, antes da universidade, era chamado de Estado curral”, disse ele em entrevista ao MidiaNews, ao ser questionado sobre a polarização direita e esquerda.

    “O ministro da Educação militar, o coronel Jarbas Gonçalves Passarinho, disse o seguinte: a Universidade Federal de Mato Grosso veio para dividir esse imenso curral, esse curral não pode ser patrimônio de uma só pessoa, ou de um só grupo, tem que ser de todos”, acrescentou.

    Ao longo da sua trajetória, Novis Neves conviveu com diversas lideranças. Ele foi secretário de Estado de Educação do ex-governador Pedro Pedrossian, no Mato Grosso integrado e uno, na década de 1970.

    Além de falar de saúde e medicina, os avanços dessa área da sua formação, comentou também sobre educação, fatos políticos do Estado e de Cuiabá. E relembrou histórias da ditatura militar em Mato Grosso. Uma, o fato de a UFMT não ter instalado o Serviço Nacional de Informação (SNI) para bisbilhotar estudantes, professores e técnicos. E o resultado da sua negativa de não instalar o serviço: ser o único reitor cassado durante o regime de exceção. 

    Confira os principais trechos da entrevista (e o vídeo com a íntegra ao final da matéria):

    MidiaNews – O senhor dá nome à UFMT e foi o primeiro reitor temporário da universidade em março de 1970 e depois entre 1971 a 1982. Os principais desafios foram encontrar professores ou questões de infraestrutura do novo campus?

    Gabriel Novis Neves –  Eu fui um dos fundadores da universidade, mas ninguém faz nada sozinho. Ainda mais instalar uma universidade federal, em 1970, no Centro-Oeste brasileiro. Era uma aventura. Ninguém acreditava. O cuiabano estava tão desiludido naquela época que falavam: ‘Ah, saiu no papel, saiu no Diário Oficial, mas isso aí vai ficar por aí’. Porque muitas coisas, muitos projetos saíam do “Diário Oficial” e não eram transformados em realidade. Então foi essa a minha missão, de tirar do papel e transformar em realidade a Universidade Federal de Mato Grosso.

    Claro que não fiz isso sozinho. Eu fui o comandante dessa grande batalha em prol da educação, da juventude de Mato Grosso, da família mato-grossense.

    Victor Ostetti/MidiaNews

    Gabriel Novis Neves: “Minha missão foi tirar do papel e transformar em realidade a Universidade Federal de Mato Grosso”

    Eu comecei como reitor pró-tempore, porque o ministro criou a universidade em Campo Grande. A Universidade Cuiabana, nasceu em Campo Grande. Imagina, o maior rival de Cuiabá. Depois, a minha escolha de reitor pró-temporário foi em Corumbá, do Centro Educacional Júlia Gonçalves Passarinho. E foi por aclamação. E eu vim instalar a universidade em Cuiabá. Então, você vê que coisa bonita é esse começo da história da universidade.

    Uma história que começou em 1808, em Vila Bela da Santíssima Trindade. Todo mundo fala o seguinte: o ensino superior de Mato Grosso começou na época de Gabriel. Não! Começou em 1808. Quando a família real foi expulsa pelas armas de Napoleão Bonaparte e vieram para Salvador, na Bahia.

    E chegando em Salvador, aquele pessoal que era da Casa Civil, vamos dizer assim, lá do Imperador do Brasil, exigiram que se criasse uma faculdade de medicina em Salvador, porque era impossível, inadmissível, ter a família real morando em uma cidade que não tivesse faculdade de medicina. Daí, a coisa elitizante do curso de medicina começou aí. Começou aí, ou continuou aí, não sei. Mas aqui no Brasil, começou aí.

    O aluno de medicina, ele tinha orgulho de falar que ele estudava medicina na Praia Vermelha

    Então foi criada em Salvador a Escola Imperial de Medicina, como marco da chegada da família real em Salvador. Isso foi em fevereiro de 1808. Em novembro, a família muda para o Rio de Janeiro. Aí é criada a Universidade do Rio de Janeiro. Essa universidade foi a que estudei, que na época chamava-se Nacional, porque a capital federal era no Rio, era a Faculdade Nacional de Medicina, mais conhecida como a Universidade da Praia Vermelha. A Praia Vermelha era símbolo de qualidade. 

    O aluno de medicina, ele tinha orgulho de falar que ele estudava medicina na Praia Vermelha. Hoje ficou a Federal do Rio de Janeiro, o fundão, com traficante, droga… Todo mundo tem medo de ir no fundão. Eu tenho medo de ir no fundão.

    MidiaNews – E qual foi o impacto inicial dessa formação aqui em Cuiabá, dessa formação universitária, tanto para a cidade, quanto para o mercado de trabalho? Já que muitos, como o senhor disse, iam estudar no Rio e em São Paulo?

    Gabriel Novis Neves – Com a chegada da universidade, as famílias não precisavam mais preocupar de ter que mandar filhos para estudar fora de Cuiabá. Porque isso, inclusive, custava dinheiro. E os migrantes que estavam chegando aqui sabiam que podiam vir para cuidar da lavoura, da roça, da agricultura. E o fundamental para eles era a educação dos filhos. E eles tinham onde educar o filho em uma boa universidade, que era a nossa.

    Então, o impacto foi muito grande. Não precisavam mais sair de Cuiabá para estudar medicina. Agora, gostaria de lembrar que a ideia começou em 1808, em Vila Bela. E aí, a capital veio para Cuiabá. Algumas iniciativas aqui e ali. Até que, em 1952, no primeiro governo do Fernando Corrêa da Costa, criou a Faculdade Estadual de Direito. Sem condições de funcionar, foi fechada.

    Mais tarde, já no governo do Jango, criou a Faculdade Federal de Direito, que foi a primeira escola federal em Cuiabá, mas era isolada. O Fernando criou o Instituto de Ciências e Letras em 1966, e o Pedro Pedrossian, quando assumiu, deu início aos cursos de Ciências Contábeis, Letras, aquele curso de cuspe, que falavam, que não precisava de laboratório, não precisava de nada. E, em 1968, veio a Engenharia Civil.

    Em 70, no início de 70, o Pedrossian me chamou, falou que tínhamos que preparar o Estado para ser sede de duas universidades. Uma universidade com sede em Campo Grande e outra em Cuiabá. Pela lei, a federal tinha que ser em Cuiabá. E Campo Grande a estadual.

    O curso de Medicina foi criado em 1970 e só começou a funcionar 10 anos depois, porque era um curso elitizante e a elite é cruel com os pobres, não querem. Demorou 10 anos para começar a funcionar, hoje nós temos uma escola de Medicina aí com 45 anos, muito bem avaliada pelo MEC, formando excelentes profissionais, inclusive muitos desses meus antigos alunos da Faculdade de Medicina são meus médicos hoje.

    E eu vou dizer mais uma coisa para você, a medicina de Cuiabá é excelente, só que, infelizmente, não abrange a todos

    MidiaNews – E como é que está a educação pública universitária hoje, melhorou ou piorou?

    Gabriel Novis Neves – Em minha opinião, estou afastado do dia a dia da universidade, da sala de aula, dos departamentos, mas a minha opinião é que melhorou muito a medicina do Brasil. A medicina do Brasil não deve nada às melhores escolas de medicina do mundo.

    E eu vou dizer mais uma coisa para você, a medicina de Cuiabá é excelente, só que, infelizmente, não abrange a todos. Por exemplo, o SUS não teve condições ainda de ser um Sistema Único de Saúde para todos, mas quem tem recurso, não precisa mais sair de Cuiabá para nada.

    Esse marca-passo que tenho aqui no peito, coloquei aqui e quem colocou foi um ex-aluno nosso, de Cáceres, garoto, saiu daqui na época que não tínhamos ainda especialização. Ele fez isso na USP e defendeu uma tese, que foi aprovada nos Estados Unidos e recebeu um troféu de uma universidade americana. 

    MidiaNews – Aqui se faz as mais variadas cirurgias.

    Gabriel Novis Neves – Você não precisa sair daqui hoje para fazer cirurgia sofisticada, por exemplo uma cirurgia bariátrica, cirurgia cardíaca. Tem gente aqui que faz excelentemente bem. Houve uma época em que o melhor médico de Cuiabá era o aeroporto. Então, as pessoas que estão passando mal e têm o recurso, o aconselhamento que se dava era pegar um avião.

    E no Brasil todo houve isso. Acho que a medicina evoluiu muito nesses últimos 50 anos aqui no Brasil e aqui em Mato Grosso e em Cuiabá.

    MidiaNews – O senhor tem 90 anos e tem um bom desempenho intelectual e também de saúde. O que o Gabriel, médico, faz para manter isso?

    Gabriel Novis Neves –  Eu me cuido muito. Eu, por exemplo, vou fazer todos os exames de sangue, faço quase que mensalmente. Imagina, nunca na minha vida médica de mais de 50 anos pedi o exame de imunoglobulina. Eu acho que poucos médicos pedem esse exame.

    Fui em São Paulo para fazer um check-up e lá foram pedidos exames de imunoglobulina subclasses. Porque você pode pedir imunoglobulina ou imunoglobulina e subclasse. A minha subclasse estava muito baixa. Então eu frequentemente era cometido de infecção pulmonar, pneumonia. Não tem mais.

    MidiaNews – Isso tudo graças a esse exame detalhado?

    Gabriel Novis Neves – Graças a esse exame. Sei que vocês têm muitos leitores e muita gente vai falar, poxa, nunca fiz esse exame. E muita gente vai pressionar o médico para fazer. Eu faço. 

    Não podemos ter um líder, temos que ter líderes, e a universidade está aí para formar líderes

    MidiaNews – O senhor, como médico, o que acha que precisa melhorar na Saúde do Estado e principalmente em Cuiabá?

    Gabriel Novis Neves – Olha, a medicina precisa melhorar para todos. Porque para alguns, ela está ótima. Por exemplo, eu tenho condições de chegar ao médico, pagar exame. Então, para mim, ela está ótima. Mas, a grande maioria não está. Por quê? A grande maioria ainda depende do Programa Saúde da Família, onde tem um médico, geralmente, recém-formado, generalista. E hoje, ser generalista [médico geral] é complicado. Eu, quando formei, ainda era generalista. E hoje, o conhecimento, é infindável, né? Enquanto não criar o cargo de médico do Estado, a medicina não vai para a frente.

    MidiaNews – E o que seria esse médico do Estado?

    Gabriel Novis Neves – O médico do Estado é o seguinte: você para ser juiz federal, faz o concurso para juiz federal, não vai poder advogar. Aí, dependendo do resultado do seu exame, se você for bem classificado, vai escolhendo as cidades. Os mais bem classificados ficam mais perto das grandes cidades. Os menos, vão para outras cidadezinhas. Enfim, tem que criar a função do médico.

    Você criando a função do médico, vai ter esse médico, não vai ter clínico. Ele vai, vamos supor, para Aripuanã. Aí fica lá dois, três anos, aí faz uma provinha. Se ele acrescentou conhecimento, aí vem para Juara. Aí fica mais algum tempinho. Porque tem que estudar. Se ele fizer o outro teste e demonstrar aproveitamento, vem para cá. Porque os que estão entrando aqui e que tem pouco conhecimento vão lá.

    Porque você vê o seguinte, o Brasil forma milhares de médicos por ano. Milhares. Ele é um dos países recordistas em escolas de medicina. Mas falta médico no Brasil. Mas falta médico onde no Brasil? Aonde falta médico? Em São Paulo? Na Rua Augusta? Na Avenida Atlântica? Em Cuiabá? Não. Falta exatamente nesse município pequeno.

    https://youtube.com/watch?v=xAVxCFUiaCY%3Fsi%3D0gmXx5ZNflY5j6hc

    MidiaNews – Eu sei que o senhor não gosta de falar de política, mas gostaria de saber como o senhor vê hoje essa formação do aspecto ideológico, com dois grandes grupos, direita e esquerda. O que isso está impactando no dia a dia do País?

    Gabriel Novis Neves – Essa história de direita e esquerda é a favor ou contra, é uma besteira tão grande. Por exemplo, eu trabalhei com os militares durante o meu período todo. E vou dizer para você, foi o melhor período da universidade em termos de investimento, em termos de expansão física, da rede física. O campus aqui, praticamente, foi feito em 11 anos, teatro, biblioteca, ginásio, pista de atletismo, restaurante, praça, os centros. Tudo foi feito na época dos militares. Eu nunca puni nenhum aluno pelo 477 [decreto do período da ditadura], nem professor, ninguém, nunca houve nada disso.

    Fui o único cassado como reitor. A universidade de uma hora para a outra ficou sem reitor, sem nada.

    Mas eu era visto como o homem dos militares. E vou dizer uma coisa para você, depois que eles saíram, é só blá-blá-blá. E as universidades hoje mal pagam os seus professores, e pagam mal. Na época, a inflação era galopante, a inflação era muito alta, o salário do professor era muito pequeno. Para lecionar em Cuiabá, você tinha que captar professores de fora do Estado, porque, senão, não criava a universidade. 

    MidiaNews – Voltando a essa questão da dicotomia direita e esquerda, como isso pode prejudicar o país, já que não há um debate saudável hoje em dia?

    Gabriel Novis Neves – Cada um deve ter a liberdade para escolher seu candidato e votar, isso é o que acho, mas aqui, antes da universidade, era chamado de Estado curral, Mato Grosso era Estado curral, o ministro da Educação militar, o coronel Jarbas Gonçalves Passarinho, disse o seguinte: a Universidade Federal de Mato Grosso veio para dividir esse imenso curral, esse curral não pode ser patrimônio de uma só pessoa, ou de um só grupo, tem que ser de todos, como quem disse o seguinte: não podemos ter um líder, temos que ter líderes, e a universidade está aí para formar líderes.

    MidiaNews – E quem eram os donos desse curral que era Mato Grosso, que o ex-ministro Jarbas Passarinho falava?

    Gabriel Novis Neves – Ele falava, todo mundo falava, todo mundo falava que o governo de Mato Grosso era um grande curral, e quem comandava era Filinto Müller, Fernando Corrêa da Costa, João Vila das Boas, Lúdio Coelho, Saldanha Derzi, João Ponce de Arruda. Esses aí, eram donos do curral. Tinha que universalizar! Tinha que ser de todos e isso machucou muita gente, muita gente não entendeu, isso custou, inclusive, a minha cassação. Fui o único cassado como reitor. A universidade de uma hora para a outra ficou sem reitor, sem nada.

    MidiaNews – E isso foi em que ano da universidade ?

    Gabriel Novis Neves – Isso foi em 1978. O Golbery [do Couto e Silva] era chefe da Casa Civil, me chamou em Brasília e falou: Gabriel, apreciamos muito o seu serviço, o seu trabalho, mas você é o único reitor que não implantou o serviço do SNI dentro da universidade, que analisava o currículo para ver a ideologia do camarada para saber se podia contratar. Não quis implantar isso aqui, não implantei.

    Você sabe quem definiu muito bem essa questão de direita e esquerda? Foi uma pessoa que admiro muito, chamada doutor Agrícola Paes de Barros, que foi um médico cuiabano e se declarava comunista. Ele tinha um jornal comunista, que escrevia, mandava imprimir e distribuía de graça.

    Quando veio a revolução, claro que foram prender de madrugada o doutor Agrícola e foi um constrangimento, porque quem foi prender era afilhado dele. Mas ele era comunista por convicção e os atos dele na medicina, inclusive, eram comunistas. Ele era um benemérito da pobreza de Cuiabá, a pobreza de Cuiabá só tinha um lugar para chegar: o doutor Agrícola Paes de Barros, que eu conheci muito bem. 

    Gabriel, apreciamos muito o seu serviço, o seu trabalho, mas você é o único reitor que não implantou o serviço do SNI dentro da universidade

    MidiaNews – E como o senhor avalia hoje a questão social, econômica e política do Estado de Mato Grosso?

    Gabriel Novis Neves – Mato Grosso é um Estado que cresceu muito, progrediu muito, mas ainda deve desenvolvimento, porque uma coisa é crescimento e outra coisa é desenvolvimento.

    Por exemplo, o desenvolvimento social, ainda devemos muito. Tem muitas classes que estão marginalizadas. Acho que isso poderia ser corrigido futuramente com governos que tivessem essa visão para o social, que a visão hoje dos nossos governantes é mais empresarial, é com empreendimento, é com fazenda de soja, fazenda de milho, de garimpo, mineração, criação de galinhas, mas socialmente falando, isso beneficia um grupo muito pequeno de pessoas e precisávamos beneficiar mais pessoas.

    MidiaNews – E o que fazer neste caso para resolver essa questão de crescimento e desenvolvimento?

    Gabriel Novis Neves – Fazer mais escolas, nas escolas conscientização dos alunos, fazer com que a escola não seja apenas para alfabetizar, mas também para fazer com que o aluno sinta as dificuldades do meio em que  vive, que nem todo aluno mora nos Florais, tem muitos alunos que moram ainda distantes. Tem muito município pobre aqui em Mato Grosso ainda.

    MidiaNews – O que o senhor se lembra lá no Bar do Bugre, do seu pai Olyntho? O que se debatia, quem geralmente frequentava o Bar do Bugre?

    Gabriel Novis Neves – O Bar do Bugre, durante muitos anos, foi o grande centro de vivência de Cuiabá. Tinha nove portas de frente para Prefeitura e cinco portas para a Praça da República. Então, era um lugar privilegiado para ver, inclusive, o sermão de Dom Aquino. Cheguei de assistir o sermão de Dom Aquino.

    MidiaNews – Do lado da Avenida Getúlio Vargas, ao lado na Igreja Matriz?

    Gabriel Novis Neves –  Ele fazia os sermões ali, na sacada da Catedral. As campanhas políticas, me lembro dos pracinhas, quando eles se despediram de Cuiabá, a despedida foi lá, várias campanhas políticas encerravam discursos inflamados lá.

    MidiaNews – Isso tudo lá no Bar do Bugre do seu pai, em frente onde hoje é a Prefeitura?

    Gabriel Novis Neves – Não, na Catedral. No Bar do Bugre você ouvia e via. E aí tem fatos interessantíssimos. teve uma pessoa, um candidato a vice-governador, que não sabia fazer discurso, então ele leu o discurso. Eu nunca vi uma pessoa, candidata ao governo, ler discurso. E tem outras coisas interessantíssimas.

    O papai, quando morreu, nós fomos ver o escritório dele, o que tinha de fiado, de gente. Daria para comprar uma casa boa lá nos Florais.

    MidiaNews – O senhor tem uma história de vários locais interessantes aqui em Cuiabá. Gostaria que o senhor comentasse um pouco a história do então engenheiro Floriano Peixoto, que fez uma grande contribuição para Cuiabá. O que ele fez ? O nosso segundo presidente do Brasil República.

    Gabriel Novis Neves –  O Floriano Peixoto era alagoano, cursou a escola militar lá de Porto Alegre, e nessa escola existia um aluno de Uruguaiana, Vasconcelos, que foi colega de turma dele e grande amigo. O Floriano era político, o Vasconcelos era técnico, os dois engenheiros. Então, o Floriano sempre ocupava cargos políticos, e o presidente era o Marechal Deodoro, que morou em Cuiabá, casou em Cuiabá, com uma mulher enganada, sabia disso, né? Ele casou com uma mulher enganada, que não era a namorada dele.

    Depois veio o Floriano também, morou aqui. Então, o governador de Mato Grosso na época era o coronel Alencastro, que pediu  para o quartel-general um engenheiro capacitado para dar uma imagem, uma fisionomia de capital a Cuiabá, já que parecia um arraial. 

    Aí, o Floriano chamou o colega de turma, o Vasconcelos, e falou: você vai para Cuiabá e vai construir o mais belo jardim que você já viu na sua vida, não tem problema de recursos. Aí ele pegou a mulher, filha única, carioca, e veio para Cuiabá. Então, chegou com uma menina de 14 anos.

    Chegando aqui em Cuiabá, ele importou o coreto, a fonte luminosa, que hoje está lá na Praça Ipiranga. Ele fez o traçado do jardim caprichoso, com ruas, com roseiras, com palmeiras imperiais, com ipês. No dia da inauguração estava tão bonita que o coronel Alencastro falou assim: será a Praça Alencastro. A minha geração chama de jardim, tudo acontecia no jardim.

    MidiaNews – E quem que era essa filha do amigo do Vasconcelos, amigo do Floriano Peixoto?

    Gabriel Novis Neves –  A filha chamava-se Eugênia de Vasconcelos. Ela casou com o Gabriel de Souza Neves, então ficou Eugênia de Vasconcelos Neves. Os filhos delas todos tinham sobrenome Neves. Um chamou Vasconcelos, porque ele tinha ideia de ir para o Clube de Forças Armadas, então falou que o nome deveria influenciar. Acabou sendo agrônomo e ganhou dois apelidos. Mocinho e Seu Zé. 

    O primeiro e o segundo filho dessa família, da Eugênia, ela teve condições de educar no Rio e tornaram-se desembargadores. Mas de 1947 em diante, meu pai, foi cobrador da farmácia do Pedro Celestino. Época em que vendia-se fiado em Cuiabá. Tudo era fiado. O papai, quando morreu, nós fomos ver o escritório dele, o que tinha de fiado, de gente. Daria para comprar uma casa boa lá nos Florais.

    MidiaNews – O senhor só não falou quem era a Eugênia, que veio junto com Vasconcelos, amigo do Floriano Peixoto?

    Gabriel Novis Neves – Era minha avó, a Eugênia era minha avó.

    Assista a entrevista completa:

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    Fonte: https://www.midianews.com.br/entrevista-da-semana/mt-era-um-estado-curral-comandado-por-poucos-ufmt-dividiu-isso/507547