Parlamentar afirma ter sido intimidado pelo agressor nas redes sociais e critica soltura mediante fiança horas após a prisão

O deputado estadual Waldir Barranco (PT-MT) usou a tribuna da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), durante Sessão Extraordinária realizada nesta segunda-feira (22), para denunciar um grave caso de violência doméstica ocorrido no município de Querência, no Vale do Araguaia, e relatar ameaças diretas que passou a sofrer após tornar público o episódio. Segundo o parlamentar, o agressor — preso em flagrante pela Polícia Militar — foi colocado em liberdade poucas horas depois mediante pagamento de fiança no valor de R$ 5 mil.
De acordo com Barranco, a vítima é esposa de um agente público contratado pela Prefeitura de Querência, identificado como MacGyver Max Neves Souza. Conforme o boletim de ocorrência, ao qual o deputado afirma ter tido acesso, a mulher foi brutalmente agredida, sofreu estrangulamento e apresentou diversos hematomas pelo corpo. Ela conseguiu se desvencilhar do agressor e ligar para a Polícia Militar, que a encontrou na rua e efetuou a prisão do marido em seguida.
O parlamentar questionou duramente a liberação do criminoso logo após a prisão, ressaltando que, conforme a Lei Maria da Penha, apenas um juiz poderia autorizar a soltura em casos dessa natureza, e não um delegado ou policial. Diante disso, Barranco informou que encaminhou requerimento ao procurador-geral de Justiça de Mato Grosso, Rodrigo Fonseca Costa, solicitando que o Ministério Público acompanhe o caso de perto para apurar possíveis irregularidades e evitar que a vítima se torne mais um número nas estatísticas de feminicídio.
Após a repercussão do caso, segundo o deputado, a própria vítima entrou em contato relatando desespero e medo pela própria vida. Ela afirmou ter deixado a cidade por receio de novas agressões e denunciou tentativas de inverter a narrativa dos fatos, fazendo com que o agressor passe a se apresentar como vítima, utilizando influência política e social no município.
Barranco também denunciou que passou a ser alvo de ameaças diretas feitas pelo agressor por meio de mensagens privadas no Instagram. Nas mensagens, o suspeito nega as agressões, afirma que seria ele o verdadeiro lesionado e ameaça processar o parlamentar por exposição indevida e falsas acusações. Diante disso, o deputado anunciou que irá registrar queixa-crime na Polícia Judiciária Civil e encaminhar memorando à Mesa Diretora da ALMT para que a Procuradoria da Casa assuma a defesa institucional do Parlamento.
Como subprocurador da Mulher na Assembleia Legislativa, Barranco afirmou que sua atuação no caso é um dever institucional e humanitário, ressaltando que o padrão de escalada da violência contra a mulher é conhecido: começa com ameaças verbais, evolui para agressões físicas e, em muitos casos, termina em feminicídio. Mato Grosso, inclusive, lidera pelo segundo ano consecutivo o ranking nacional de violência e assassinatos de mulheres.
Debate sobre legislação penal
Ao criticar a soltura rápida do agressor mediante fiança considerada baixa diante da gravidade das acusações, o deputado reacendeu o debate sobre a necessidade de mudanças na legislação penal brasileira para endurecer o tratamento a crimes de violência doméstica. Barranco questiona um sistema que, ao permitir benefícios legais em casos de extrema violência, acaba colocando vítimas em risco iminente.
O tema, no entanto, revela uma contradição política recorrente no país: setores da esquerda, campo ideológico do qual o parlamentar faz parte, resistem ao aumento de penas sob o argumento de que medidas mais severas violariam os Direitos Humanos. O caso expõe o impasse entre o discurso garantista e a urgência de respostas mais eficazes do Estado para proteger mulheres ameaçadas e coibir a reincidência de agressores e crimes de maneira geral.
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