Famato conclui em Cuiabá série de palestras e reforça orientações sobre impactos da reforma tributária no agronegócio

Proposta da Famato foi garantir que produtores tenham condições de entender não apenas o que muda, mas como essas novas exigências podem influenciar a competitividade e a previsibilidade da produção.

Após percorrer mais de 20 municípios mato-grossenses, a Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato) encerrou em Cuiabá, nesta quarta-feira (12), a série de palestras voltadas a esclarecer produtores rurais e contadores sobre os efeitos da reforma tributária no agronegócio. O encontro final, realizado na sede da entidade, consolidou as principais dúvidas e apresentou caminhos técnicos para adaptação às novas regras que começam a redesenhar a relação entre atividade produtiva, sustentabilidade fiscal e gestão do patrimônio rural.

A rodada trouxe explicações práticas sobre temas que devem impactar diretamente o planejamento das propriedades, como arrendamento, aquisição de máquinas e equipamentos, cadastro no IBS/CBS e aplicação da alíquota reduzida de 60% para produtos do agro. A proposta da Famato foi garantir que produtores tenham condições de entender não apenas o que muda, mas como essas novas exigências podem influenciar a competitividade e a previsibilidade da produção.

Para o analista tributário da Famato, José Cristóvão Martins Júnior, a participação ativa do produtor nas decisões fiscais é indispensável.

“Nem sempre contador ou advogado conhecem as particularidades da fazenda. Sem a visão do campo, o planejamento perde eficiência e aumenta o risco”, alertou.

As orientações técnicas reforçaram a necessidade de revisar contratos de arrendamento para identificar a alíquota mais vantajosa, além de detalhar quais máquinas e equipamentos poderão ser adquiridos com desoneração, conforme lista prevista em regulamento. Com o novo desenho do IBS e da CBS, parte das operações passará a ser recolhida pelo próprio produtor, ampliando a responsabilidade sobre o controle tributário.

No novo regime de não cumulatividade, insumos tendem a chegar menos onerosos, mas o acompanhamento entre créditos e débitos na saída exigirá maior organização. A recomendação é manter cadastro atualizado de fornecedores que já aderiram ao IBS/CBS e priorizar vendas para compradores habilitados, garantindo aplicação correta do diferimento.

Vice-presidente regional da Famato e produtor rural, Anísio Milela Zinqueira Neto destacou que o entendimento das mudanças precisa ser constante.

“Não dá para ignorar o que está acontecendo. Precisamos estar atentos para não continuar pagando pela ineficiência. Mantenho contato constante com meu contador e advogado. No fim do ano passado, ele me alertou para não firmar certos contratos em 2025, considerando o faturamento do ano anterior. Este ano o cenário é outro, e estamos tomando medidas para adequação”, afirmou.

O presidente da Famato, Vilmondes Tomain, ressaltou que o setor ainda busca compreender a dimensão total dos impactos.

“Estamos entendendo como serão as mudanças, mas uma coisa é certa: a carga tende a aumentar. Mudanças tributárias miram arrecadação e preocupam o produtor. Por isso realizamos esta rodada para orientar, inclusive, os contadores”, destacou.

Segundo ele, a série de eventos recebeu forte adesão no interior e será retomada em 2026, com foco na preparação e na proteção do patrimônio rural.

Continuidade do serviço ao produtor

Ao final do encontro, Tomain confirmou que o ciclo de palestras será mantido no próximo ano. As novas datas e cidades serão divulgadas nos canais oficiais da Famato.

Fonte: https://www.parlamentonews.com.br/agronegocio/item/3626-famato-conclui-em-cuiaba-serie-de-palestras-e-reforca-orientacoes-sobre-impactos-da-reforma-tributaria-no-agronegocio

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