Apesar da afirmativa, o presidente do Tribunal de Contas do Estado (TCE-MT), acredita que o valor pode favorecer a compra ou pelo Estado ou pela Prefeitura

O presidente do Tribunal de Contas do Estado (TCE-MT), Sérgio Ricardo, deu uma declaração afirmando que o Hospital Santa Casa da Misericórdia não vale o valor que está sendo vendida, de R$ 39 milhões, valor estipulado atualmente pelo Tribunal Regional do Trabalho (TRT), após novo edital ser lançado.
Ricardo ainda ressaltou que a região em que a Santa Casa está localizada é desvalorizada ao dizer que o Centro Histórico de Cuiabá está abandonado. “A Santa Casa não vale, dá para pagar 20, 25 [milhões], ela não vale mais, ela está em uma região desvalorizada. Só o que vai funcionar ali é a Santa Casa, todo o centro de Cuiabá já está totalmente abandonado, aquela região vai ser abandonada também, se não ficar a Santa Casa ali”, afirmou.
A primeira tentativa de venda da Santa Casa ocorreu em julho deste ano, quando o valor colocado foi de R$54,7 milhões, o que equivalia a 70% do valor da avaliação judicial estimada em R$78,2 milhões. Sem nenhuma proposta, um novo edital foi lançado, reduzindo o valor para R$39,1 milhões. As propostas podem ser feitas até 25 de outubro de 2025, diretamente no processo eletrônico ou pelo e-mail institucional do Tribunal Regional do Trabalho da 23ª Região.
Em meio ao imbróglio político de compra do hospital, o prefeito Abílio Brunini (PL) afirmou, na última segunda-feira (22), que a compra da Santa Casa será possível caso o valor chegue a R$ 25 milhões. O gestor acredita que no valor atual, o hospital não receberá nenhum lance, o que caso seja concretizado até o final do período, pode provocar uma diminuição no valor da venda.
Apesar da diferença atual de R$ 14 milhões entre o valor fixo do edital de venda e o teto estipulado por Brunini, Sérgio Ricardo acredita que a compra irá ocorrer de qualquer forma, seja pela própria Prefeitura ou pelo Estado. Para ele, mesmo com as discussões políticas, não há interesse em fechar o espaço. “Ou vai ser a Prefeitura de Cuiabá, ou vai ser o governo do Estado, podem escrever isso, ninguém tem interesse em fechar a Santa Casa”, afirmou.
Dívida e crise
A Santa Casa é um hospital filantrópico que vem enfrentando uma crise financeira, além de dívidas trabalhistas com mais de 800 ex-funcionários, que ultrapassam o valor de R$50 milhões. Em 2019, o Estado passou a administrá-la, transformando em um hospital estadual. Desde então, repassou cerca de R$26 milhões pelo uso do prédio, valor utilizado para quitar parte dos salários atrasados e outras verbas devidas aos ex-empregados. Apesar disso, o montante não foi suficiente para liquidar integralmente a dívida trabalhista. Atualmente, o Estado paga um aluguel mensal de pouco mais de R$461 mil pelo uso do prédio, valor referente a 2024.
A Santa Casa de Misericórdia de Cuiabá fechou as portas em março de 2019, após enfrentar uma grave crise financeira que deixou centenas de empregados sem salários por cerca de sete meses. Agora, com a venda do imóvel, a Justiça do Trabalho busca viabilizar a quitação dos valores ainda pendentes.
A ideia é de que a venda do prédio dê continuidade à execução trabalhista que envolve 860 processos. Após o procedimento de unir todas as execuções no TRT, 384 processos já foram quitados com o pagamento de cerca de R$ 7,3 milhões, enquanto outros 476 processos ainda aguardam pagamento, somando cerca de R$43,7 milhões.
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