A enfermeira Danielle Carmona deve assumir o cargo de secretária de Saúde de Cuiabá após a saída de Lúcia Helena Barboza Sampaio, que pediu demissão nesta terça-feira (29/07).

Danielle ficou conhecida no meio político por sua proximidade com o secretário de Estado de Saúde, Gilberto Figueiredo. Carmona foi a interventora no segundo processo de intervenção sofrido pela saúde de Cuiabá, ocorrido por determinação judicial em dezembro de 2023.
À frente da pasta, ela acumulou polêmicas e denúncias de irregularidades. Com o fim da intervenção, Carmona deixou de cumprir 111 metas estipuladas pelo Ministério Público e pelo Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT).
Entre os problemas encontrados no período em que Carmona esteve à frente da Saúde de Cuiabá, estavam a não exoneração de contratos temporários e o número insuficiente de servidores nomeados para cargos efetivos.
A intervenção também deixou de realizar o pagamento de adicional de insalubridade aos servidores e enfrentou problemas como a não reformulação do Prêmio Saúde e falhas estruturais em reformas de unidades básicas de saúde.
Segundo a decisão judicial que deu início à intervenção, 30 unidades básicas deveriam ter sido reformadas. Dessas, apenas 7 passaram por reformas. As unidades reformadas apresentaram problemas estruturais graves, como fissuras no gesso, vazamentos no telhado, parte elétrica incompleta e salas que precisaram ser isoladas por risco de desabamento.
Carmona também ficou conhecida devido à proliferação de pagamentos indenizatórios, sem licitação, durante sua gestão à frente da Secretaria Municipal de Saúde da Prefeitura de Cuiabá.
A secretária chegou a ser ouvida na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) criada pela Câmara de Cuiabá para investigar os pagamentos indenizatórios, que totalizaram R$ 136 milhões.
Ela também foi denunciada pelo empresário Frederico Aurélio Bisco, dono da Síntese Comercial Hospitalar, por supostamente ter beneficiado a empresa MedTrauma nos contratos da prefeitura.
Frederico afirmou que a Síntese Comercial Hospitalar LTDA teve o contrato de fornecimento de próteses rompido pela gestão da Empresa Cuiabana de Saúde Pública (ECSP) para beneficiar uma empresa administrada por médicos que operam, fiscalizam e encaminham os procedimentos para pagamento pela saúde da capital.
A MedTrauma chegou a ser alvo de investigação por suspeitas de fraude em licitação e formação de cartel na Secretaria de Estado de Saúde.
Carmona também foi denunciada por vereadores devido à compra de um placebo para pacientes em Cuiabá. Em resposta, ela afirmou que adquiriu acetilcisteína xarope do Consórcio Intermunicipal de Saúde Vale do Rio Cuiabá (Cisvarc). No entanto, o consórcio entregou um suplemento alimentar que também recebe o nome de acetilcisteína.
“Não existe medicamento falso, não existe medicamento placebo; ele é um medicamento, é um suplemento alimentar reconhecido pela Anvisa [Agência Nacional de Vigilância Sanitária]”, declarou em entrevista no dia 30 de outubro.
Carmona também protagonizou um embate público com o ex-prefeito Emanuel Pinheiro (MDB), quando este acusou a intervenção de elevar os óbitos no Hospital São Benedito, em Cuiabá, e chamou os interventores de “nazistas”.
“Não tenho dúvidas de que transformaram o Hospital São Benedito em uma câmara de gás, um aumento de quase 100% no número de óbitos. Ele era utilizado como sala de espera da morte”, declarou. “Foi uma tragédia, pois eles são incompetentes, descompromissados, levianos, irresponsáveis e nazistas”, afirmou o prefeito.
Danielle processou Emanuel Pinheiro pela declaração, exigindo o pagamento de indenização de R$ 450 mil. Na época, Emanuel também afirmou que a intervenção deixou um déficit de R$ 183 milhões nos cofres da Secretaria, o que foi rebatido por Carmona.
“Primeiro, que esse rombo não existe; existe, sim, desencontro de informações”, declarou na época a interventora, logo após Emanuel reassumir o comando da Saúde do município.
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