Produtor rural de Paragominas (PA) defende a valorização do pequeno pecuarista e o compromisso do setor privado com a capacitação e o meio ambiente, afirmando que a verdadeira sustentabilidade nasce dos princípios — não das regras.

Enquanto parte de agricultores e ambientalistas ainda trava uma disputa ferrenha por espaço e razão, há quem enxergue que a solução não está na guerra, mas no entendimento. Durante o evento “Diálogos Boi na Linha”, realizado em Brasília, no último dia 22, um nome chamou atenção: Mauro Lúcio Costa, 61 anos, produtor rural de Paragominas (PA).
Com discurso sereno, mas firme, Mauro defende uma visão equilibrada e madura sobre a produção agropecuária e o cuidado ambiental.
“Não há necessidade de derrubar uma única árvore para produzir. Basta querer fazer a coisa certa, com coerência e pensando nas próximas gerações”, afirmou.
O olhar sobre o pequeno produtor
Para Mauro, o pequeno produtor rural precisa ser visto não como o elo mais fraco da cadeia, mas como um parceiro essencial. É ele quem fornece bezerros e insumos básicos para a engrenagem da pecuária, e o sucesso do pequeno impacta diretamente o resultado de toda a cadeia produtiva.
“Essas pessoas precisam de atenção e assistência técnica. Fala-se muito sobre isso, mas é preciso colocar em prática. Quando dizemos mais Brasil e menos Brasília, é disso que estamos falando — assumir responsabilidades e não esperar tudo do governo”, ressaltou.
O produtor acredita que a iniciativa privada deve liderar esse movimento, levando conhecimento, tecnologia e capacitação até o campo.
“Quando invisto em um pequeno fornecedor, eu melhoro o meu próprio negócio. Se ele produz melhor, eu também ganho. É o princípio da reciprocidade”, explicou.
Pecuária sob princípios, não sob regras
Um dos conceitos mais marcantes apresentados por Mauro é o movimento “Pecuária sob Princípios”, filosofia que norteia sua atuação no campo. Para ele, as regras existem porque os princípios foram quebrados — e trabalhar baseado em valores é mais eficiente e sustentável do que apenas seguir leis para evitar punições.
“Não tem como produzir bem sem cuidar da natureza. Se eu destruo o solo, perco o pasto; se ignoro as nascentes, fico sem água. Cuidar do que Deus me entregou é o princípio básico. Quando esquecemos isso, criam-se as regras — e trabalhar debaixo delas é muito mais pesado”, afirmou.
Segundo ele, agir com princípios traz recompensas naturais, porque é uma relação de troca.
“Se eu cuido da terra, ela me devolve. Se valorizo meus colaboradores, eles cuidam do meu negócio. Se trato bem os animais, eles produzem mais. Tudo é recíproco.”
O caminho da reciprocidade
Para Mauro Lúcio Costa, a sustentabilidade verdadeira nasce do equilíbrio entre o homem e o meio ambiente, e não da imposição de selos ou da pressão de órgãos externos. Ele reconhece a importância dos ambientalistas e diz ter aprendido muito com eles, mas ressalta que a prática cotidiana do campo ensina ainda mais.
“Os ambientalistas me ensinaram várias coisas, mas o que mais me ensina é a prática do meu negócio. Fazer pecuária bem feita é o que me dá entendimento. Não é o selo que faz a diferença — é o princípio.”
No final da conversa, ficou evidente que Mauro Lúcio Costa representa uma voz rara e necessária: a de quem une sensatez, fé e responsabilidade. Ele acredita que o Brasil tem todas as condições para aumentar a produção sem abrir mão da preservação, desde que cada um — produtor, empresário, consumidor e governo — cumpra o seu papel com integridade.
“Quando trabalhamos debaixo dos princípios, somos recompensados por isso.
Quando trabalhamos debaixo das regras, é apenas para não sermos punidos.
A diferença está na consciência de cada um.”
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